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Como desenhar uma elipse?

O desenho técnico é a melhor forma de representar uma peça, ele mostra com clareza e objetividade todas as informações referentes ao projeto que se deseja executar. É cada vez mais raro que seja necessário riscar um desenho com caneta nanquim ou lápis e prancheta, existe uma infinidade de softwares com esta finalidade. Mesmo assim, utilizando qualquer software que seja, é necessário que o mecânico saiba os conhecimentos base para a construção de um desenho. O desenho em perspectiva (falaremos da perspectiva isométrica, que é o tipo mais usado no Brasil), geralmente é o que traz mais dificuldade quando alguém está começando na área de desenho. As elipses, sobretudo, quase arrancam os cabelos do desenhistas iniciantes.

Vamos tentar mostrar um passo a passo bem objetivo para ajudar você a aprender como se desenha uma elipse, ou seja, um círculo quando visto em perspectiva. Tenha papel, lápis, borracha, compasso e um par de esquadros à mão.


No nosso exemplo vamos desenhar um círculo de 100mm de diâmetro em perspectiva.
Como no Brasil usamos com maior frequência a perspectiva isométrica, estaremos baseando nossos estudos neste tipo de desenho. Devemos lembrar que a perspectiva isométrica possui a maioria das linhas inclinadas à 30º ou 90º.
O que queremos é obter uma elipse como esta que que você vê representada abaixo.

Para começar qualquer desenho em perspectiva, devemos iniciar traçando quatro linhas auxiliares, elas estão representadas ao lado. Não se preocupe com as medidas destas linhas, apenas desenhe elas com traços bem leves pois estas linhas deverão ser apagadas no final do processo. Para desenhá-las você vai precisar do esquadro de 30º.

Agora que já temos as linhas de referência, devemos marcar a medida do diâmetro do círculo (100mm) sobre as linas de referência. Marque os 100mm sobre a linha vertical e na linha inclinada à 30º da direita.
Agora forme um "quadrado torto" traçando uma linha vertical e uma linha inclinada a 30º sobre estas duas marcações, como foi feito no desenho abaixo:


Precisamos traçar duas linhas que vão dividir o quadrado em 4 partes. Como o quadrado tem 100mm, basta marcar 50mm na linha vertical e 50mm na linha inclinada e traçar as duas linhas nas marcações.
O próximo passo é traçar uma diagonal do quadrado maior, saindo do ponto onde as quatro linhas de referência de se encontram e indo até o outro vértice do quadrado.

Muita atenção agora, esta etapa é muito importante. Você deve apoiar o esquadro em dois pontos do quadrado grande: em uma extremidade e no meio. O objetivo é conseguir duas marcas sobre a diagonal que foi traçada no passo anterior.



Agora vamos utilizar o compasso para fazer 4 arcos. Atenção para o locais onde vamos apoiar a ponta seca (ponta que não tem grafite). Primeiro vamos apoiar a ponta seca na extremidade onde não traçamos a diagonal, em seguida abrimos o compasso até a parte central superior do compasso, observe as figuras:

Em seguida, fazemos o mesmo procedimento no lado oposto, veja:
Agora vamos apoiar a ponta seca do compasso em uma das marcas que fizemos sobre a diagonal e abri-lo até a extremidade de um dos arcos que acabamos de fazer.



Façamos o mesmo procedimento do lado oposto.

Pronto, finalmente, terminamos de fazer a elipse.

Agora, com muito cuidado, apague as linhas de construção e deixe apenas a elipse. Logo após, pegue o compasso, apoie a sua ponta seca nos furinhos que ele mesmo fez quando você estava traçando os arcos e passe novamente, com mais força, reforçando cada arco.




Desenho Técnico

O desenho foi a primeira forma de comunicação utilizada pelo homem, é mais antigo do que a fala e a escrita. Na pré-história o homem já utilizava-se das pinturas rupestres para expressar suas idéias e a sua forma de se relacionar com o ambiente em que vivia.
O desenho técnico que temos hoje em dia, é formado por um conjunto de normas e regras que são necessárias para o seu bom entendimento, independente do local da face da terra onde esteja. É a forma mais completa de representação de peças e conjuntos.
A fala, por exemplo, não seria capaz de transmitir todos os detalhes de uma peça, não seria capaz de transmitir com exatidão suas medidas ou seu formato, além disso, quem estivesse escutando não conseguiria guardar tantas informações.

Nem sempre pode-se utilizar um modelo para a fabricação de uma nova peça. Este modelo pode ser muito grande, ou muito pequeno. Ele pode ter detalhes internos que sejam difíceis de perceber ou até mesmo de medir.



Outra maneira que poderia ser utilizada seria a fotografia, mas ela também não consegue transmitir informações sobre detalhes internos, medidas ou acabamento das superfícies da peça, por exemplo.


O método mais completo, com certeza, é o desenho técnico. Ele utiliza um alto grau de normalização e é baseado na geometria descritiva. Cada linha tem um significado diferente no desenho, de acordo com seu formato, localização ou, até mesmo, sua espessura. Vamos ver os formatos de papel que são mais utilizados, as diferentes classificações do desenho, os tipos de linha e muito mais a respeito do desenho técnico.

Tipos de desenho

De acordo com a finalidade a que se destinam e o grau de precisam que recebem, os desenhos técnicos rebem a classificação abaixo:

- Esboço: É o desenho feito à mão, muitas vezes não utiliza nenhum instrumento de desenho a não ser o lápis. Sua finalidade é transmitir informações rápidas de maneira simples.




- Desenho rigoroso: Neste desenho são utilizados instrumentos de desenho. Cada linha, cada traço é realizado de acordo com uma norma correspondente. Este tipo de desenho transmite informações de maneira mais clara e com menos chance de erro, porém, requer tempo e conhecimento técnico para ser realizado.

- Desenho de detalhes: é uma maneira de representar as peças com a descrição mais rica possível. Além da representação de formatos e medidas, traz diversas outras informações como acabamento superficial, tolerâncias dimensionais e geométrica, e tantas outras informações.




Instrumentos utilizados no desenho

Embora o "instrumento" mais utilizado atualmente para execução de desenhos seja o computador e os vários softwares de desenho técnico que existem, ainda existe muitas pessoas que não têm um bom domínio da informatica ou dos softwares CAD ( Computer Aided Design- desenho assistido por computador). 


Assim, o velho lápis e a prancheta ainda são muito utilizados, sobretudo nos serviços de manutenção, nas oficinas onde se desenha para transmitir informações de maneira rápida e, muitas vezes não existe o computador ou o software para utilização. Os principais instrumentos utilizados no desenho à mão você observa na ilustração abaixo:


Formatos de papel

Os papéis utilizados nos desenhos técnicos têm suas dimensões normalizadas. Os formatos de papel mais utilizados são aqueles da "série A". O maior papel da série A é o "A0", que possui mais de um metro de largura, os demais papéis até o A6 (menor formato utilizado) são obtidos através da divisão por dois do papel imediatamente maior que eles. Assim, o A1 é a metade do A0. O A2 é a metade do A1. O A3 é a metade do A2. O A4 é a metade do A3. O A5 é a metade do A4. O A6 é a metade do A5.
Abaixo observamos uma tabela com as dimensões padronizadas dos papéis da série A:


Margem e legenda

As margens do desenho também seguem padrões rigorosos com dimensões bem definidas. Note que a margem esquerda é maior do que as outras, ela serve justamente para receber os furos que serão utilizados para fixação do desenho em pastas e fichários.

No formato A4 e nos formatos menores que ele, a legenda deve ficar no centro, posição inferior da folha. Nos formatos maiores, a legenda deve ficar no canto inferior direito. As informações da legenda são importantíssimas para a compreensão do desenho. Nela está descrito o tipo e o tamanho do material que será utilizado para realização do projeto, o número de peças, o nome do autor do desenho e várias outras informações.
           
Caligrafia técnica

Para que a interpretação do desenho não seja prejudicada por problemas de grafia, existe uma caligrafia técnica padronizada. Tudo é normalizado, desde o tamanho das letras até à espessura das linhas.

Tipos de linhas

Cada linha que está presente em um desenho tem um significado diferente. Uma linha pode representar um detalhe externo, enquanto outra representa um detalhe interno, que seria imperceptível perceber sem a ajuda do desenho. O quadro a seguir traz um resumo da maioria das linha que são utilizadas no desenho técnico com suas principais aplicações:



Desenho de Perspectivas


Muitas vezes é necessário transmitir a idéia de profundidade em um desenho, ou seja, é necessário representar uma peça em três dimensões. A melhor forma de representar um desenho desta forma é através das perspectivas. As perspectivas são, portanto, maneiras de representar uma peça onde é possível perceber as três dimensões: comprimento, largura e profundidade.


Existem vários tipos de perspectivas, como você pode ver no desenho abaixo:

Vamos falar um pouco sobre cada tipo de perspectiva:

Perspectivas Cavaleira

A perspectiva cavaleira se caracteriza por ter a face do objeto paralela à face do papel, ou seja, uma das faces da peça é desenhada como se estivesse exatamente na frente do observador. As linhas que representam profundidade podem estar inclinadas à 30º, 45º ou 60º e sofrem redução de suas dimensões, por esta necessidade de reduzir medidas, este tipo não é o mais utilizado. Observe como acontece esta redução:

 

y e z medidas normais
x é 1/3 da original
Ex) Peça com 60mm de profundidade vai ter essa medida desenhada com 20mm.

 

y e z medidas normais
x é 1/2 da original
Ex) Peça com 60mm de profundidade vai ter essa medida desenhada com 30mm.

 

y e z medidas normais
x é 2/3 da original
Ex) Peça com 60mm de profundidade vai ter essa medida desenhada com 40mm.

Perspectivas Cônicas

Este tipo não é muito utilizado na mecânica, embora não seja proibido. Arquitetos e artistas plásticos são os profissionais que mais utilizam este tipo de desenho. A sua grande vantagem é a facilidade de representar um ângulo de visão, como por exemplo o que uma pessoa enchergaria se estivesse em um corredor olhando para o final do mesmo, mas é difícil a representação de detalhes técnicos mecânicos.


Perspectivas Axonométricas
Este grupo de perspectivas engloba três tipos de perspectivas:a dimétrica, a trimétrica e a isométrica.
As perspectivas axonômetricas são construídas sobre três eixos básicos, sendo que, a perspectiva dimétrica caracteríza-se por ter dois ângulos iguais entre esses eixos e o treceiro ângulo diferente.

 

 



A perspectiva trimétrica possui os três ângulos formados por seus eixos de construção diferentes, isso resulta em escalas diferentes para cada uma de suas linhas, ou seja, nenhuma é desenhada com a mesma medida do desenho.

 

 

Por último, mas não menos importante, temos a perspectiva isométrica. Este tipo é o mais utilizado no Brasil e caracteriza-se por ter os três eixos à mesma distância uns dos outros, ou seja, 120º. Não é necessário fazer nenhuma redução de medida, o que torna muito prática a sua utilização.


Protec- Desenhista de Máquinas

Abaixo você tem acesso a um arquivo que foi encontrado na internet. O Tecmecânico tenta concentrar arquivos relacionados com a mecânica para facilitar o aprendizado e a reciclagem de profissionais da mecânica e áreas afins.


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